terça-feira, 13 de novembro de 2018

OFICINA TEMÁTICA: A TERRA E SEUS CICLOS BIOGEOQUÍMICOS: UM OLHAR SOBRE A SUSTENTABILIDADE DE NOSSOS PROJETOS


A noção de espaço encontra-se intimamente ligada à noção de tempo.

Partindo do pressuposto que o mesmo espaço que nos fornece os materiais que necessitamos (alimentação, moradia, lazer); é o espaço que também descartamos tudo aquilo que não nos é mais útil depois de um certo tempo (lixo).



Trazendo um problema que precisa ser encarado e discutido, pois é uma ameaça real à saúde das populações e ao meio ambiente. É um momento oportuno para que haja uma efetiva preocupação em não contaminar o solo e as nascentes fluviais, de forma que nossas ações não interfiram negativamente nesse processo de troca com o meio ambiente.
No início da história da humanidade, o lixo produzido era formado basicamente de folhas, frutos, galhos de plantas, fezes e demais resíduos do ser humano e dos outros animais. Esses “restos” eram naturalmente decompostos, isto é, reciclados e reutilizados nos ciclos do ambiente. ("Poluição do solo" em Só Biologia.)
Com as grandes aglomerações humanas, o desenvolvimento das cidades, a proximidade da industrialização e da tecnologia, cada vez mais produzindo resíduos (lixo) que se acumulam, no meio ambiente.

O solo e sua importância
O solo tem um importante papel no meio ambiente, onde funciona como integrador ambiental e reator, acumulando energia solar na forma de matéria orgânica, reciclando água, nutrientes e outros elementos e alterando compostos químicos (LAVKULICH, 1995). Esta importância está também evidenciada visto que um componente fundamental do solo, a matéria orgânica, tem origem no processo da fotossíntese, que transforma gás carbônico, oxigênio, hidrogênio e nutrientes minerais em compostos orgânicos clorofilados (RAIJ, 2004).
Os principais componentes do solo incluem água; minerais inorgânicos em partículas individualizadas nas frações granulométricas areia, silte e argila; formas estáveis da matéria orgânica, derivadas da decomposição pela biota do solo; organismos vivos como minhocas, insetos, microrganismos, algas e nematóides, e gases do ar como O2, CO2, N2, NO3 (MOURA, 2010).
Toda esta sua estrutura é que possibilita o desenvolvimento das mais diversas espécies de plantas que conhecemos. É do solo que retiramos a maior parte de nossa alimentação direta ou indiretamente, se este estiver contaminado, certamente nossa saúde estará em risco.

Os perigos da poluição do solo

A poluição do solo, afeta particularmente o nível superficial da crosta terrestre, camada da biosfera que abriga considerável biodiversidade. Dependendo da magnitude, pode causar malefícios irreparáveis tanto à natureza, que responde lentamente aos processos de reparação, quanto à frágil estrutura corpórea do homem. Sendo o homem o agente causador, a origem poluidora dos solos pode ser urbana ou rural, refletindo os danos característicos em cada meio de ocupação humana. 
Algumas das conseqüências causadas pela contaminação do solo:
Fonte: disponível em http://agroambiente.com.br/avaliacao-de-solo/ acessado em 25 de maio de 2018.
As principais fontes poluidoras do solo são: inseticidas, solventes, detergentes, remédios e outros produtos farmacêuticos, herbicidas, lâmpadas fluorescentes, componentes eletrônicos, tintas, gasolina, diesel e óleos automotivos, fluídos hidráulicos, fertilizantes e produtos químicos de pilhas e baterias. 

Em áreas urbanas o principal problema é a enorme quantidade de lixo lançado sobre a superfície aliada à falta de tratamento. Já nas áreas rurais, a contaminação do solo, ocorre exclusivamente pelo uso inadequado e abusivo de agrotóxicos e fertilizantes. O DDT, inseticida largamente utilizado nas lavouras para eliminar insetos, atualmente proibido em vários países, é uma substância com alta capacidade de retenção no solo e nos tecidos e órgãos dos animais.

As áreas de aldeias indígenas e o lixo

Na sociedade tradicional indígena, não existia lixo. O que as pessoas tiravam da floresta voltava para a floresta. Hoje, além do lixo orgânico, que é naturalmente decomposto, reciclado e "devolvido" ao ambiente, há o lixo industrial eletrônico, o lixo hospitalar, as embalagens de papel e de plástico, garrafas pets, latas, pilhas, baterias, fraldas descartáveis, entre outros, que na maioria das vezes, não são biodegradáveis, isto é, não são decompostos por seres vivos e se acumulam na natureza.
Como lidar com o lixo tem sido um problema para as grandes metrópoles, bem como para algumas comunidades conforme a notícia tratando da realidade do povo Iauanauá, no Acre.

Em Mato Grosso, na região do Araguaia pode-se destacar a situação preocupante com os indígenas Xavantes, em São Marcos, por exemplo. Onde já se organiza a implementação de um programa de gestão de resíduos sólidos.
A partir dessa problemática levantada sobre os resíduos, pode-se então em um olhar mais direcionado refletir e questionar:
·       Que problemas o lixo trás para o povo indígena?
·       Quais os tipos de lixo são encontrados em maior quantidade nas aldeias da região?
·       Existe algum tipo de gestão do lixo nas aldeias da região?
·       Todos podem ajudar?
Em áreas remotas, ou em regiões onde não há nenhum tipo de saneamento básico, muitas comunidades queimam seus resíduos como plásticos, vidros, metais e borracha e enterram o que não podem ou não conseguem queimar. A queima desses materiais emite gases de efeito estufa (GEEs) na atmosfera e pode desencadear incêndios florestais durante a estação seca. Já a opção de enterrar alguns materiais, como o caso das pilhas e lâmpadas, que são maioria, podem contaminar o solo e os cursos d’água por serem tóxicos. A opção de apenas amontoá-los em um espaço destinado para o lixo, pode ser considerada, desde que seja feita uma separação desse lixo e preparo do terreno, pois nesse local poderá haver a liberação de gases e/ou a produção de chorume, sendo este um líquido preto proveniente da decomposição de matéria orgânica, que também pode contaminar o solo, se estiver concentrado de material tóxico.

O que são resíduos sólidos? Como a lei os define?

Resolução (Res.) n.º 005/93 do CONAMA, em seu artigo 1.º define resíduos sólidos como: Resíduos nos estados sólido e semi-sólido, que resultam de atividades da comunidade de origem: industrial, doméstica, hospitalar, comercial, agrícola, de serviços e de varrição.
Fonte: disponível em http://embalagemsustentavel.com.br/2010/01/09/logistica-reversa/blog acessado em 26 de maio de 2018.
No Brasil existe uma norma específica denominada NBR10004 que trata dos critérios para a classificação dos resíduos de acordo com sua composição e características em duas classes: Classe 1, para resíduos considerados perigosos (que podem oferecer algum risco para o meio ambiente ou para o homem), e Classe 2, para resíduos não perigosos. É a partir desta classificação que se determina quais as destinações adequadas para cada tipo de resíduo.
Já quanto aos locais de destinação às normas específicas são:
- ABNT NBR13896/97 – Aterros de resíduos não perigosos – Critérios para projeto, implantação e operação;
- ABNT NBR10157/87 – Aterros de resíduos perigosos – Critérios para projeto, construção e operação;
Existem também normas específicas sobre incineração, reciclagem e outras formas de tratamento dos resíduos que são empregadas antes da disposição final, ou seja, os resíduos coletados passam por estas etapas e somente o que sobre delas (ou o que não pode ser mesmo aproveitado) é destinado para os aterros. Lembrando que existem diferentes tipos de aterros: Aterro Industrial, Aterro Sanitário, Aterro Controlado, Bioreatores.
Assim, consegue-se aumentar a vida útil do mesmo. A poluição do solo, e da biosfera em geral, pode e deve ser evitada. Uma das providências necessárias é cuidar do destino do lixo.


Preservando o solo, a gente preserva a vida!

O ponto de partida para amenizar essa problemática deve ser com um trabalho dos profissionais da saúde em parceria com os da educação, traçando estratégias para lidar com o lixo e os perigos por ele trazidos para a saúde das pessoas. Ações de atuação direta contribuem para a melhoria da qualidade de vida nas comunidades tradicionais. Com o intuito de sugestão dessas ações eficientes, segue uma lista com dez dicas:
1- Realização de Seminários Temáticos Interdisciplinares e Oficinas, visando parte da capacitação dos professores para a promoção da EA nas atividades educativas cotidianas;
2- Procurar reciclar, reduzir ou reutilizar o lixo gerado, sempre que possível;
3- Implantação de Coleta Seletiva de lixo, com pontos de coleta na escola da aldeia;

4- Reduzir a geração de lixo doméstico e montar um sistema de compostagem em parceria com a escola da aldeia;
5- Arborização da aldeia local;
6- Construção de hortas ou jardins suspensos na escola que abasteçam a própria comunidade e use fertilizantes naturais e compostos orgânicos.
7- Estímulo na institucionalização da Educação Ambiental e Saúde, como prática pedagógica interdisciplinar;
8- Além de elaboração de material didático para a EA, a partir da participação das comunidades escolares envolvidas no processo.
9- A implementação de políticas públicas planejadas junto com os DSEIs 
10- Atuando em parceria com outros órgãos do governo, como o IBAMA por exemplo, na coleta de materiais comuns de uso doméstico que são radioativos (lâmpadas, pilhas, baterias).

Referências Bibliográficas

RESOLUÇÃO CONAMA nº 5, de 5 de agosto de 1993 Publicada no DOU no 166, de 31 de agosto de 1993, Seção 1, páginas 12996-12998

PAULO, Sérgio Roberto de; MELLO, Irene Cristina de; SANTOS, Lydia Maria Parente Lemos de. Origem do Universo. Cuiabá: UFMT/UAB, 2009.

"POLUIÇÃO DO SOLO" em Só Biologia. Virtuous Tecnologia da Informação, 2008-2018. Consultado em 27/05/2018 às 13:21. Disponível na Internet em https://www.sobiologia.com.br/conteudos/Solo/Solo11.php

MOURA, L. N. A. Indicadores de qualidade do solo e da água em áreas de preservação permanente da microbacia do Ribeirão do Gama, Distrito Federal. Dissertação. Faculdade de agronomia e Veterinária. 146 p. Universidade de Brasília. Brasília/ DF, 2010.
SANTOS e MÓL. Química cidadã. 2013, vol. 1, p.186.
LAVKULICH, L.M, Soil: The Environmental Integrator. In: POWTER, C.B; ABBOUD, S.A;Mc GILL, W.B, Environmental Soil Science: Anthropogenic Chemicals and Soil Quality Criteria, Brandon, Canadian Society of Soil Science, 1995,p1-43.
RAIJ, B.V, Solo e Meio Ambiente, In Reunião Brasileira de Manejo e Conservação do Solo e da Água, Santa Maria, 2004.
MORSELLI, Tânia Beatriz G. A. Biologia do Solo. Editora: UFPEL (Universidade Federal de Pelotas) Temas: Ecologia, Geologia, Solo.

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