A noção de espaço
encontra-se intimamente ligada à noção de tempo.
Partindo do pressuposto que o mesmo espaço que nos fornece os materiais que necessitamos (alimentação, moradia, lazer); é o espaço que também descartamos tudo aquilo que não nos é mais útil depois de um certo tempo (lixo).
Trazendo um problema que precisa ser encarado e discutido, pois é uma ameaça real à saúde das populações e ao meio ambiente. É um momento oportuno para que haja uma efetiva preocupação em não contaminar o solo e as nascentes fluviais, de forma que nossas ações não interfiram negativamente nesse processo de troca com o meio ambiente.
No início
da história da humanidade, o lixo produzido era formado basicamente de folhas,
frutos, galhos de plantas, fezes e demais resíduos do ser humano e dos outros
animais. Esses “restos” eram naturalmente decompostos, isto é, reciclados e
reutilizados nos ciclos do ambiente. ("Poluição do solo" em Só
Biologia.)
Com as
grandes aglomerações humanas, o desenvolvimento das cidades, a proximidade da
industrialização e da tecnologia, cada vez mais produzindo resíduos (lixo) que se
acumulam, no meio ambiente.
O solo e sua importância
O solo tem um
importante papel no meio ambiente, onde funciona como integrador ambiental e
reator, acumulando energia solar na forma de matéria orgânica, reciclando água,
nutrientes e outros elementos e alterando compostos químicos (LAVKULICH, 1995).
Esta importância está também evidenciada visto que um componente fundamental do
solo, a matéria orgânica, tem origem no processo da fotossíntese, que
transforma gás carbônico, oxigênio, hidrogênio e nutrientes minerais em
compostos orgânicos clorofilados (RAIJ, 2004).
Os principais
componentes do solo incluem água; minerais inorgânicos em partículas
individualizadas nas frações granulométricas areia, silte e argila; formas
estáveis da matéria orgânica, derivadas da decomposição pela biota do solo;
organismos vivos como minhocas, insetos, microrganismos, algas e nematóides, e
gases do ar como O2, CO2, N2, NO3 (MOURA, 2010).
Toda esta sua estrutura é que
possibilita o desenvolvimento das mais diversas espécies de plantas que
conhecemos. É do solo que retiramos a maior parte de nossa alimentação direta
ou indiretamente, se este estiver contaminado, certamente nossa saúde estará em
risco.
Os perigos da poluição do
solo
A poluição do solo, afeta particularmente o nível
superficial da crosta terrestre, camada da biosfera que abriga considerável
biodiversidade. Dependendo da magnitude, pode causar malefícios irreparáveis
tanto à natureza, que responde lentamente aos processos de reparação, quanto à
frágil estrutura corpórea do homem.
Sendo o homem o agente causador, a origem
poluidora dos solos pode ser urbana ou rural, refletindo os danos
característicos em cada meio de ocupação humana.
Algumas das conseqüências causadas pela contaminação do solo:
Algumas das conseqüências causadas pela contaminação do solo:
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Em áreas urbanas o principal problema é a enorme quantidade de lixo lançado sobre a superfície aliada à falta de tratamento. Já nas áreas rurais, a contaminação do solo, ocorre exclusivamente pelo uso inadequado e abusivo de agrotóxicos e fertilizantes. O DDT, inseticida largamente utilizado nas lavouras para eliminar insetos, atualmente proibido em vários países, é uma substância com alta capacidade de retenção no solo e nos tecidos e órgãos dos animais.
As áreas de aldeias indígenas e o lixo
Na sociedade
tradicional indígena, não existia lixo. O que as pessoas tiravam da floresta
voltava para a floresta. Hoje, além do lixo orgânico,
que é naturalmente decomposto, reciclado e "devolvido" ao ambiente,
há o lixo industrial eletrônico, o lixo hospitalar, as embalagens de papel e de
plástico, garrafas pets, latas, pilhas, baterias, fraldas descartáveis, entre
outros, que na maioria das vezes, não são biodegradáveis, isto é, não
são decompostos por seres vivos e se acumulam na natureza.
Como lidar com o lixo tem sido
um problema para as grandes metrópoles, bem como para algumas comunidades conforme
a notícia tratando da realidade do povo Iauanauá,
no Acre.
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| Fonte: disponível em https://epoca.globo.com/ciencia-e-meio-ambiente/blog-do-planeta/noticia/2017/06/o-lixo-chegou-nas-aldeias-e-indigenas-pedem-ajudar-para-resolver-o-problema.html acessado em 24 de maio de 2018 |
Em Mato Grosso, na região do Araguaia pode-se destacar a situação preocupante com os indígenas Xavantes, em São Marcos, por exemplo. Onde já se organiza a implementação de um programa de gestão de resíduos sólidos.
A partir dessa problemática levantada sobre os resíduos, pode-se então
em um olhar mais direcionado refletir e questionar:
· Que
problemas o lixo trás para o povo indígena?
· Quais
os tipos de lixo são encontrados em maior quantidade nas aldeias da região?
· Existe
algum tipo de gestão do lixo nas aldeias da região?
· Todos
podem ajudar?
Em áreas remotas, ou em regiões
onde não há nenhum tipo de saneamento básico, muitas comunidades queimam seus
resíduos como plásticos, vidros, metais e borracha e enterram o que
não podem ou não conseguem queimar. A queima desses materiais emite gases
de efeito estufa (GEEs) na atmosfera e pode desencadear incêndios florestais durante
a estação seca. Já a opção de enterrar alguns materiais, como o caso das pilhas
e lâmpadas, que são maioria, podem contaminar o solo e os cursos d’água por
serem tóxicos. A opção de apenas amontoá-los em um espaço destinado para o
lixo, pode ser considerada, desde que seja feita uma separação desse lixo e
preparo do terreno, pois nesse local poderá haver a liberação de gases e/ou a
produção de chorume, sendo este um líquido preto proveniente da decomposição de matéria
orgânica, que também pode contaminar o solo, se estiver concentrado de
material tóxico.
O que são resíduos sólidos?
Como a lei os define?
Resolução (Res.) n.º
005/93 do CONAMA, em seu artigo 1.º define resíduos sólidos como: Resíduos nos
estados sólido e semi-sólido, que resultam de atividades da comunidade de
origem: industrial, doméstica, hospitalar, comercial, agrícola, de serviços e
de varrição.
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| Fonte: disponível em http://embalagemsustentavel.com.br/2010/01/09/logistica-reversa/blog acessado em 26 de maio de 2018. |
No Brasil existe uma norma específica denominada NBR10004 que
trata dos critérios para a classificação dos resíduos de acordo com sua
composição e características em duas classes: Classe 1, para resíduos
considerados perigosos (que podem oferecer algum risco para o meio ambiente ou
para o homem), e Classe 2, para resíduos não perigosos. É a partir desta
classificação que se determina quais as destinações adequadas para cada tipo de
resíduo.
Já quanto aos locais de destinação às normas específicas são:
Já quanto aos locais de destinação às normas específicas são:
-
ABNT NBR13896/97 – Aterros de resíduos não perigosos – Critérios para projeto,
implantação e operação;
- ABNT NBR10157/87 – Aterros de resíduos perigosos – Critérios
para projeto, construção e operação;
Existem também normas específicas sobre
incineração, reciclagem e outras formas de tratamento dos resíduos que são
empregadas antes da disposição final, ou seja, os resíduos coletados passam por
estas etapas e somente o que sobre delas (ou o que não pode ser mesmo
aproveitado) é destinado para os aterros. Lembrando que existem diferentes tipos de aterros: Aterro
Industrial, Aterro Sanitário, Aterro Controlado, Bioreatores.
Assim, consegue-se aumentar a vida útil do mesmo. A poluição do solo, e da biosfera em
geral, pode e deve ser evitada. Uma das providências necessárias é cuidar do
destino do lixo.
Preservando o solo, a gente preserva a vida!
O ponto de partida para amenizar essa
problemática deve ser com um trabalho dos profissionais da saúde em parceria
com os da educação, traçando estratégias para lidar com o lixo e os perigos por
ele trazidos para a saúde das pessoas. Ações de atuação direta contribuem para
a melhoria da qualidade de vida nas comunidades tradicionais. Com o intuito de
sugestão dessas ações eficientes, segue uma lista com dez dicas:
1-
Realização de Seminários Temáticos Interdisciplinares e Oficinas, visando parte
da capacitação dos professores para a promoção da EA nas atividades educativas
cotidianas;
2-
Procurar reciclar, reduzir ou reutilizar o lixo gerado,
sempre que possível;
4-
Reduzir a geração de lixo doméstico e montar um sistema de compostagem em
parceria com a escola da aldeia;
5-
Arborização da aldeia local;
6-
Construção de hortas ou jardins suspensos na escola que abasteçam a própria
comunidade e use fertilizantes naturais e compostos orgânicos.
7-
Estímulo na institucionalização da Educação Ambiental e Saúde, como prática
pedagógica interdisciplinar;
8-
Além de elaboração de material didático para a EA, a partir da participação das
comunidades escolares envolvidas no processo.
9- A implementação de políticas públicas planejadas junto com os DSEIs
9- A implementação de políticas públicas planejadas junto com os DSEIs
10- Atuando em parceria com outros órgãos do governo,
como o IBAMA por exemplo, na coleta de materiais comuns de uso doméstico que
são radioativos (lâmpadas, pilhas, baterias).
Referências
Bibliográficas
RESOLUÇÃO
CONAMA nº 5, de 5 de agosto de 1993 Publicada no DOU no 166, de 31 de agosto de
1993, Seção 1, páginas 12996-12998
PAULO, Sérgio Roberto de; MELLO, Irene Cristina de; SANTOS, Lydia
Maria Parente Lemos de. Origem do
Universo. Cuiabá: UFMT/UAB, 2009.
"POLUIÇÃO DO SOLO" em Só Biologia.
Virtuous Tecnologia da Informação, 2008-2018. Consultado em 27/05/2018 às
13:21. Disponível na Internet em https://www.sobiologia.com.br/conteudos/Solo/Solo11.php
MOURA,
L. N. A. Indicadores de qualidade do solo e da água em áreas de preservação
permanente da microbacia do Ribeirão do Gama, Distrito Federal. Dissertação.
Faculdade de agronomia e Veterinária. 146 p. Universidade de Brasília.
Brasília/ DF, 2010.
SANTOS
e MÓL. Química cidadã. 2013, vol. 1, p.186.
LAVKULICH, L.M, Soil: The
Environmental Integrator. In: POWTER, C.B; ABBOUD, S.A;Mc GILL, W.B, Environmental
Soil Science: Anthropogenic Chemicals and Soil Quality Criteria, Brandon,
Canadian Society of Soil Science, 1995,p1-43.
RAIJ,
B.V, Solo e Meio Ambiente, In Reunião Brasileira de Manejo e Conservação do
Solo e da Água, Santa Maria, 2004.
MORSELLI, Tânia Beatriz G. A. Biologia do Solo. Editora:
UFPEL (Universidade Federal de Pelotas) Temas: Ecologia, Geologia, Solo.
https://www.infoescola.com/ecologia/destinacao-de-residuos/, acessado em 27 de maio de 2018.





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